Sun

A música sempre teve importância na minha vida. Quando criança, comprar vinil era um dos momentos mágicos que eu passava com os meus pais. Depois, crescida, me tornei refém dela, sempre a procura de novidades que amaciassem ou transloucassem os meus ouvidos. Já os pensamentos ficavam [e, ainda, ficam] mais dolorosos ou alegres conforme a trilha musical que o acompanha.

Foi por causa dela – mais especificadamente por causa da Chan Marshall, conhecida como Cat Power – que conheci tanto a minha ex quanto a minha atual namorada.

A minha ex foi me apresentada por uma amiga em comum, para que fôssemos juntas ao show da Chan. Aquela conversa de apresentação quebra-gelo deu em namoro, e “Aquela” mulher cantando embalou os nossos carinhos apaixonados.

A Chan[a] une as sapas!

Minha atual namorada só deixou recado no meu Last Fm, porque tínhamos em comum, principalmente, essa super da foto acima. As primeiras mensagens deixadas no mural das duas eram sobre a Chan e como éramos tocadas pela música dela. Ou, ainda, sobre se iríamos nos olhar se tivéssemos nos esbarrado no show da nossa musa.

No entanto, da mesma maneira que acho que música une, tenho as minhas razões para achar que música também distancia. Já pensou você estar conversando com a moça e, de repente, ela falar que está tocando uma música que ela gosta. Aí, quando você presta atenção, ser a “tchu-tcha”? Eu broxaria na hora!

Se a música uniu você e a sua princesa, conte aí nos comentários!

***

Nota: Apesar deste post ser amoroso, a idéia sobre ele veio de uma maneira bem raivosa: começou comigo xingando os bregas que escutam música com o som do carro super alto na rua em que moro. Incrível que ninguém que tenha carro com som potente,  escute música, no mínimo, decente.Postado este pensamento no twitter, eis que surge a notícia do novo álbum da Chan, o Sun:

O meu mundo ficou mais colorido!

E, aí, o meu mundo ficou mais colorido e eu fiquei mais alegre!

Chan, sua linda, que me traz lembranças doces, estaremos na sua platéia nos seus shows por aqui!

No som: Cat Power – Love & Communication

 

 

 

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Da série Viver a Vida – Aos 15.

Outro dia, o blog Flexões Lésbicas me fez dar risadas um tanto agridoces (não, foram do tipo risadas à la jiló, mesmo), pois o post sobre “estar apaixonada pela melhor amiga” me fez recordar a minha adolescência.

Estava um tanto infeliz, porque tinha acabado de mudar de colégio, deixando a minha ficante para trás. “Mas não era só continuar a se encontrar?” Se a vida fosse fácil assim.. A ficante arranjou amigas novas e começou a ficar com um garoto, seu novo amigo também. Foi com ela que dei os meus primeiros beijos e minhas primeiras passadas de mão, quando eu tinha 13 anos. Bom, mas ela será assunto de outro post. Voltemos às minhas 15 primaveras de flores secas e murchas.

Eu, toda desajeitada e tímida, sabia que iria demorar um tempo para me enturmar na escola nova. Eis que, do nada, uma menina (A), juntamente com outra, (S), começam a conversar comigo. Já naquela semana, eu e S, começamos a ir para nossas respectivas casas, juntas. Além disso, S começou a me ligar no meio da tarde para conversarmos sobre qualquer coisa.

Nem preciso falar que não demorou muito para eu ficar apaixonada por S.

S de Sim, você é ,Sim, uma idiota, pois não demorou nada para eu ficar perdidamente apaixonada, cara amiga. S era inteligentíssima, linda, tinha um ótimo senso de humor e, como pude constatar pouquíssimo tempo depois que eu a conheci, era biscathy. Assim, muuuuuuuuuu (sua vaca) iiito biscathy! Não respeitava nenhum pouco os meus olhos brilhantes quando eu a olhava ou quando eu falava que as espinhas, no queixo dela, não estavam tão grandes e perceptíveis. Ela não respeitava o meu silêncio quando ela começava a falar dos garotos que ela estava a fim ou daqueles que ela esperava ficar novamente. Tudo isso acontecia enquanto eu a fazia rir com as bobagens que eu falava; enquanto eu dava chocolates para ela, porque ela amava (e que causavam as espinhas! Isso é V de Vingança); enquanto alugávamos filmes água com açúcar, em que ela chorava e NÃO dava a mão para mim.

Tinha que ter um pouco de drama queer, não é?

Voltando..

Saí uma vez com S e A. S ficou Sem, mas queria muito ter ficado com um moleque lá. Ficou morrendo de fazer bico, e eu fiquei morrendo de raiva da situação e da existência do moleque. Daí em diante, minha vida social com as meninas do meu colégio foi exterminada, pois S estava sempre no meio de tudo.

Sempre achei que morreria se a visse beijando alguém.

 Pois bem, já no segundo ano que estava me iludindo quanto à S, ela me narra os acontecimentos da festa junina que ela foi. Ela ficou com três caras. Isso é ruim, lógico! Mas, fato é que ela me contou detalhadamente sobre os caras, os beijos e o resto, assim, um monte de detalhes! Enquanto ela me contava, fui sentindo o meu estômago se revirar.

Não me lembro ao certo se foi entre o cara ter pedido o telefone dela, ou se foi quando o cara pediu para que ela o acompanhasse até o carro dele, que eu vomitei tu-di-nho!

Você ficou com nojo de quem?

Esse episódio serviu como uma data de validade para eu parar de ser besta!

Aí, você me pergunta o porquê de eu não falar para ela sobre os meus sentimentos?

1. Ela fazia comentários bem preconceituosos sobre sapatões;

2. Eu preferia “tê-la” por perto. Ansiava em vê-la, em fazê-la rir. Ansiava muito mais por um beijo ou qualquer demonstração de afeto, enfim.

***

Resultado disso tudo, uma lição da extinta Viver a Vida: falar sobre o que você sente pela sapata, pela biscate ou por aquela hetero toda comportada.

Melhor levar um NÃO, na cara, do que ficar remoendo um monte de coisa dentro de você sem ter nenhum tipo de resposta da outra parte. E outra, tomar um Não, não te quebrará! Se você gostar muito da moça e você receber de presente um Não, no máximo, isso irá arranhar o seu coraçãozinho. Nada que o tempo não cure!

Cheers, my deer!

No som: Uh Huh Her – Never The Same