Da série Viver a Vida – Aos 15.

Outro dia, o blog Flexões Lésbicas me fez dar risadas um tanto agridoces (não, foram do tipo risadas à la jiló, mesmo), pois o post sobre “estar apaixonada pela melhor amiga” me fez recordar a minha adolescência.

Estava um tanto infeliz, porque tinha acabado de mudar de colégio, deixando a minha ficante para trás. “Mas não era só continuar a se encontrar?” Se a vida fosse fácil assim.. A ficante arranjou amigas novas e começou a ficar com um garoto, seu novo amigo também. Foi com ela que dei os meus primeiros beijos e minhas primeiras passadas de mão, quando eu tinha 13 anos. Bom, mas ela será assunto de outro post. Voltemos às minhas 15 primaveras de flores secas e murchas.

Eu, toda desajeitada e tímida, sabia que iria demorar um tempo para me enturmar na escola nova. Eis que, do nada, uma menina (A), juntamente com outra, (S), começam a conversar comigo. Já naquela semana, eu e S, começamos a ir para nossas respectivas casas, juntas. Além disso, S começou a me ligar no meio da tarde para conversarmos sobre qualquer coisa.

Nem preciso falar que não demorou muito para eu ficar apaixonada por S.

S de Sim, você é ,Sim, uma idiota, pois não demorou nada para eu ficar perdidamente apaixonada, cara amiga. S era inteligentíssima, linda, tinha um ótimo senso de humor e, como pude constatar pouquíssimo tempo depois que eu a conheci, era biscathy. Assim, muuuuuuuuuu (sua vaca) iiito biscathy! Não respeitava nenhum pouco os meus olhos brilhantes quando eu a olhava ou quando eu falava que as espinhas, no queixo dela, não estavam tão grandes e perceptíveis. Ela não respeitava o meu silêncio quando ela começava a falar dos garotos que ela estava a fim ou daqueles que ela esperava ficar novamente. Tudo isso acontecia enquanto eu a fazia rir com as bobagens que eu falava; enquanto eu dava chocolates para ela, porque ela amava (e que causavam as espinhas! Isso é V de Vingança); enquanto alugávamos filmes água com açúcar, em que ela chorava e NÃO dava a mão para mim.

Tinha que ter um pouco de drama queer, não é?

Voltando..

Saí uma vez com S e A. S ficou Sem, mas queria muito ter ficado com um moleque lá. Ficou morrendo de fazer bico, e eu fiquei morrendo de raiva da situação e da existência do moleque. Daí em diante, minha vida social com as meninas do meu colégio foi exterminada, pois S estava sempre no meio de tudo.

Sempre achei que morreria se a visse beijando alguém.

 Pois bem, já no segundo ano que estava me iludindo quanto à S, ela me narra os acontecimentos da festa junina que ela foi. Ela ficou com três caras. Isso é ruim, lógico! Mas, fato é que ela me contou detalhadamente sobre os caras, os beijos e o resto, assim, um monte de detalhes! Enquanto ela me contava, fui sentindo o meu estômago se revirar.

Não me lembro ao certo se foi entre o cara ter pedido o telefone dela, ou se foi quando o cara pediu para que ela o acompanhasse até o carro dele, que eu vomitei tu-di-nho!

Você ficou com nojo de quem?

Esse episódio serviu como uma data de validade para eu parar de ser besta!

Aí, você me pergunta o porquê de eu não falar para ela sobre os meus sentimentos?

1. Ela fazia comentários bem preconceituosos sobre sapatões;

2. Eu preferia “tê-la” por perto. Ansiava em vê-la, em fazê-la rir. Ansiava muito mais por um beijo ou qualquer demonstração de afeto, enfim.

***

Resultado disso tudo, uma lição da extinta Viver a Vida: falar sobre o que você sente pela sapata, pela biscate ou por aquela hetero toda comportada.

Melhor levar um NÃO, na cara, do que ficar remoendo um monte de coisa dentro de você sem ter nenhum tipo de resposta da outra parte. E outra, tomar um Não, não te quebrará! Se você gostar muito da moça e você receber de presente um Não, no máximo, isso irá arranhar o seu coraçãozinho. Nada que o tempo não cure!

Cheers, my deer!

No som: Uh Huh Her – Never The Same

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6 respostas em “Da série Viver a Vida – Aos 15.

  1. sempre tem ‘a amiga’…né, Sis ?
    e não basta ser amiga, parece que faz parte do manual ignorar nossos olhos que brilham! u.u
    elas que nos perderam, nossas vidas continuaram e elas foram só base pra construir essas
    coisas linda que nos tornamos – me deixa, gosto de acreditar nisso RICLO

    beijão, Sis

    e adogay o post,manda mais!!!

  2. Ai… Eu acho que felizmente, nunca me apaixonei por uma amiga, no máximo, tive uma quedinha que logo acabou…
    O problema, uma de minhas melhores amigas, hétero (ou que ao menos tem tudo pra ser), nos últimos tempos começou a agir estranho comigo, como se tivesse medo que eu fosse atacá-la ou algo do tipo, uma amiga em comum nossa, falou que “ela queria mesmo é que eu a atacasse”. Sinceramente, isso é complicado de entender, de repente ela passou a ‘gostar’ de mim e tem medo de levar um fora, ou então, ela desenvolveu algum tipo de receio que eu esteja apaixonada por ela? Ou ainda, talvez, tenha criado alguma intolerância a minha pessoa, sei lá.

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